A minha virada como batera: como virei profissional e como tu também podes viver teu sonho!

Há mais ou menos 15 anos atrás, eu era mais uma adolescente que sonhava em viver de música. Imagina, viver viajando, tocando o que se gosta, pagando as contas e ainda sobrando um pouco pra viver uma vida confortável. Entretanto, nunca achei que eu tivesse talento – e, além do mais, queria ser baterista, um instrumento que ainda é muito visto como um instrumento “para homem”.

Hoje, moro na cidade que escolhi (Rio de Janeiro), e já morei em lugares como Buenos Aires e Los Angeles. Tenho mais de 7.000 seguidores na minha página - Groovaí - e já toquei com muita gente boa, tudo por causa da bateria! Hoje vivo de música, vivo de bateria.

Como eu consegui? É o que eu vou te contar nesse post! 😉

 

 

O meu começo

 

Comecei tocando no interior do RS, em Pelotas, cidade onde nasci. Eu conhecia gente que vivia de música, mas parecia um sonho muito distante – todas minhas referências eram músicos que eu considerava talentosos, e, mesmo amando o instrumento, eu nunca tive facilidade para tocá-lo. Eu fazia aulas e tocava com bandas, mas sentia que nunca estaria pronta; eu tinha muito medo de errar e isso me bloqueava para aprender coisas novas, o que me impediria de ser uma baterista profissional.

 

Foi quando uma amiga (a quem sou eternamente grata!) me indicou uma aluna. Eu nunca tinha dado aulas, nem achava que conseguiria. Indiquei um amigo que eu confiava e que era um ótimo professor, mas ela disse que não, que tinha me visto tocar e queria ter aulas comigo. Resolvi aceitar o desafio, mesmo com toda minha insegurança; afinal o máximo que poderia acontecer era eu ter que correr muito atrás e evoluir.

Aprofundei meus estudos, aprendi a ler e escrever partitura, aprendi novos ritmos, me apaixonei por dar aulas e comecei a divulgar meu trabalho como professora de bateria.

Cada aluno ou aluna que chegava eu via as mesmas inseguranças que eu tinha, por mais “talentosos” que fossem.  

 

Foi dando aulas que percebi que existe uma fórmula para se tocar todos os ritmos e viradas que a gente possa imaginar. Eu uso ela até hoje e tenho certeza que tu também vais usar depois de ler esse post! Percebi que para virar uma baterista era apenas questão de tempo e estudo. Mas, o estudo certo, no tempo certo.

 

 

 A minha virada

 

Pra chegar lá eu sabia que teria que investir bastante tempo e dinheiro, mas era um risco que eu estava disposta a correr. Juntei toda a grana que eu pude, zerei minha economias e estudei com os melhores professores que eu conhecia.

Comecei com minhas referências locais: Marquinhos Fê, Luke Faro (considerados dos melhores bateras do RS), e depois fui expandindo, até chegar no Musicians Institute (Hollywood - EUA). De volta ao Brasil, continuei aprofundando meus estudos, agora focando em ritmos brasileiros, com Cássio Cunha e Élcio Cáfaro. E com eles todos aprendi muito, e desenvolvi o meu método de estudo, baseado nos fundamentos que pra mim eram os mais importantes.

Quando estudei no Musicians Institute (Los Angeles) fiz uma matéria chamada How To Practice (como praticar), com o genial Fred Dinkins. Com ela pude organizar as ferramentas mais importantes da bateria: independência, técnica, leitura e ritmos. Isso me ensinou a maximizar meu tempo, aproveitando ao máximo o estudo.

Isso fez com que eu realmente começasse a evoluir, utilizando um método criado a partir de tudo que aprendi. Assim, percebi que chegar onde eu queria chegar era possível e dependeria só de mim – era uma questão de tempo e determinação.

Mas que método é esse? Não é nenhum bicho de 7 cabeças e nem uma fórmula milagrosa que vai fazer você virar um profissional super rápido, mas, se você aplicá-la no seu estudo, vai ser só questão de tempo e perseverança para você chegar lá. E qualquer um pode começar a aplicar desde o início, mesmo sem experiência alguma. E é o que eu vou te contar no próximo tópico!

 

Aplicação

 

Já aconteceu de alunos me contaram que estavam estudando 6, 8 horas por dia sem o resultado que queriam. Vale sempre lembrar que todas as ferramentas que estudamos são recursos para fazer música, para nos expressarmos. Estudar por horas algo que não tenha aplicação pode estar sendo perda de tempo.

Então vamos aos pontos:

 

Groove - O fundamento mais importante da bateria: groove, ritmo, levada, batida. Vai ser o que vai dar a “cara” da bateria na música. Muita gente perde tempo tentando criar grooves mirabolantes, mas mais importante que isso é tocar um groove de forma precisa, com segurança, que faça o resto da banda se sentir confortável pra tocar com liberdade. Uma dica que eu dou pra quem toca groove com metrônomo: não esqueça de praticar com uma música, seja com playalongs ou com músicas que tenham bateria gravadas mesmo. Para a gente manter nosso groove fluindo, não há nada melhor que tocar com prazer. ;)

 

Viradas - A virada, rolo, ou fill é uma frase que vai preparar para uma outra parte da música. As viradas podem ser diversas, de um compasso inteiro, ou seja: nos tempos 1, 2, 3 e 4 ou apenas nos tempos 3 e 4, por exemplo. A virada pode ter diversas possibilidades de combinação de notas, vai depender do que a música “pede” e do tipo de banda que estamos tocando. Em jam com os amigos vale arriscar todas as notas, se permitir e se divertir muito. Já em algum trabalho pago vale a máxima do “menos é mais”. Já vi muito músico com ótima técnica deixando de ser chamado para trabalhos por querer mostrar muito, “esquecer” que estava tocando com uma banda e que a estrela ali não era ele.

 

Técnica - De acordo com o dicionário é o: “conjunto de métodos e processos de uma arte ou de uma profissão.” E, para nós, isso quer dizer que é o tipo de habilidades que precisamos ter para sermos bons profissionais. Existem várias técnicas de pés e mãos na bateria, e elas vão determinar como segurar a baqueta, como posicionar os pés nos pedais, etc. A técnica que eu uso se baseia em ter o máximo resultado com o mínimo de esforço, pensando o corpo todo como uma máquina só, cuidando inclusive da postura e respiração. Sempre dou a dica de praticar e estudar a técnica até ela internalizar, sem precisar pensar nela enquanto estiver tocando. Deixe ela ser de fato uma ferramenta pra tua arte e não um fim. Na hora de tocar o que importa é apenas a música, o momento com o resto da banda e o público.

 

Leitura - Leitura pra mim serve não só como a ferramenta mais óbvia – ler uma partitura em uma gravação, ou um exercício, escrever minhas aulas, ou ainda ter o recurso para anotar uma ideia de um groove matador –; serve também para entender as subdivisões de cada ritmo, ou seja, onde está cada nota. Caso eu me veja em uma situação com um ritmo totalmente novo, eu penso onde está cada nota em cada tempo. Visualizo o groove, mesmo que mentalmente, ficando bem mais fácil de entender e praticar, e, em alguns casos extremos, de tocar à primeira vista!

Curto muito estudar leitura aplicada: ao estudar eu toco por exemplo uma base nas mãos e leio com o bumbo, ou faço uma base com os pés e toco o que está escrito com as mãos, explico isso nesse vídeo. A leitura é um dos assuntos mais subestimados e pode ser um dos que mais farão diferença na hora de se estudar corretamente.

 

Independência - A independência é a capacidade de tocar coisas diferentes com diferentes membros: cada mão e cada pé toca uma frase diferente. Quando eu comecei a estudar me diziam para separar o cérebro em quatro partes e pensar cada membro de maneira diferente. Até hoje, não sei se algum dia consegui fazer isso. Ao contrário, não tento dividir meus pensamentos, mas penso que cada movimento faz parte de um grande movimento do meu corpo. É como correr: você mexe diversos músculos do corpo ao mesmo tempo, não mexe apenas nos músculos das pernas; mas isso está tão internalizado que você sente que é um movimento só. Então, por partes, penso como cada membro interage com o outro. Por exemplo, bem lentamente toco apenas hi-hat e bumbo, até que os dois movimentos sejam um. Olhar na partitura pode ajudar a ver onde se encaixam. Depois, junto esses dois movimentos, adiciono mais outro, até todos os movimentos parecerem uma coisa só. Nesse caso, não tenho como frizar o suficiente como é importante estudar lentamente, para que o seu corpo assimile o movimento certo. Vale muito mais a pena acertar o movimento lento do que errar o movimento rápido. Dessa forma, seu cérebro irá assimilar o acerto e não o erro.



Lendo tudo isso até parece fácil, só começar a praticar, né? Mas, como começar, quanto tempo dedicar? Começo agora a investir muito dinheiro, mesmo se eu não souber tocar bateria?

 

Foi pensando no tempo (e no dinheiro) que levou pra eu aprender tudo isso que eu resolvi fazer um minicurso gratuito explicando os fundamentos de groove, viradas além do principal: como soar bem (!), sempre aplicados de forma musical!

É um conteúdo bem extenso, mas preparei um curso em três aulas, bem mastigadinho, do jeito que eu queria quando comecei! Essa série de vídeos é uma introdução às ferramentas para iniciar tua caminhada do zero ao profissional!

 

É só clicar aqui e começar agora a transformar teu futuro como batera!

 

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